Arquitetura Sustentável: Prevenção da Poluição no Canteiro de Obras

A erosão do solo em locais existentes acontece devido à falta de vegetação de cobertura desgastada pelas pisadas do homem, com acentuadas inclinações do terreno na qual a força da água de chuva excede ou pela resistência da vegetação, ou pelo tráfego de veículos em caminhos não pavimentados.

A perda da camada superior e fértil do solo é uma das mais significativas conseqüências da erosão no canteiro de obras. Esta camada possui matéria orgânica, nutrientes e atividade biológica. Sua perda reduz drasticamente a capacidade de sustentar a vida vegetal pelo solo, regular a drenagem da água e manter a biodiversidade de micróbios e insetos que controlam enfermidades e pragas. Há a possibilidade de uma limitação severa quanto à viabilidade do plantio e do paisagismo, levando a preocupações ambientais e necessidades de manejo do solo adicionais, como o aumento de fertilizantes.

As conseqüências provocadas pela erosão decorrente do desenvolvimento de empreendimentos incluem uma variedade de aspectos em relação à qualidade da água. O escoamento dos canteiros de obra carrega poluentes, sedimentos e nutrientes que criam perturbações no habitat natural. Nitrogênio e fósforo carregados pela água da precipitação provocam o crescimento de plantas aquáticas indesejadas, incluindo algas que modificam a qualidade desta e das condições do habitat, ainda comprometendo o potencial recreacional e diminuindo a diversidade de peixes, plantas e animais autóctones.

A sedimentação, ou assoreamento, também contribui para a degradação dos corpos d´água, por reduzir a capacidade de fluxo das calhas dos mesmos, levando a um potencial aumento de enchentes. Ele afeta o habitat aquático por deixar a água mais turva, reduzindo a penetração da luz solar e conseqüentemente a fotossíntese de plantas aquáticas, baixando os níveis de oxigênio e afetando diversas comunidades aquáticas.

Estratégias podem ser adotadas no canteiro

Estratégias podem ser adotadas no canteiro, visando reduzir a erosão da obra, no sentido de estabilizar o solo ou de criar um controle físico.

Esta medida pode ser realizada através de gramíneas de rápido crescimento, para uma ação temporária, pois elas estabilizam o solo de forma mais permanente. Por fim, pode-se criar uma cobertura de cascas de árvores, pedriscos, palha ou mantas plásticas para cobrir e reter o solo. As ações de controle físico-estrutural passam pela criação de canaletas para conduzir a água a tanques de sedimentação ou cercas de geotêxteis para filtragem da água de escoamento superficial em desníveis, de modo a remover os sedimentos na passagem da água da chuva pela cerca.

O sistema de certificação LEED – Leadership in Energy and Environmental Design, criado pelo U.S. Green Building Council (USGBC), contém, dentre seus sete pré-requisitos, o “Controle da Poluição no Canteiro”. Sua realização se dá através do controle da erosão do solo, assoreamento dos corpos d´água e redução da poeira em suspensão. Para tanto, é exigida a comprovação de um plano estratégico de controle da erosão e sedimentação, por meio de documentação específica e detalhamentos de projeto de implantação.

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